Por que temos medo de morrer?

03/09/2010 16:55

Por Mônica Buonfiglio
Texto originalmente publicado em:
http://www.terra.com.br/esoterico/monica/colunas/2008/08/19/000.htm

    Todo ser humano, em um determinado momento da vida, teme a morte. É normal, mas se isto chegar a ser freqüente e incomodar, revela que a pessoa não recebeu respostas honestas, mas sim, fantasiosas. O mesmo vale para sua vida: significa que está vivendo num universo de ilusão.

A morte se inicia logo após o nascimento e por isso seria mais sensato harmonizar-se com ela. O certo seria convidá-la a ficar mais perto de nós e, como mestra, nos faria enxergar que a vida não pode ser desperdiçada e que se precisa de muito pouco para ser feliz.

Capaz de ultrapassar o poder do entendimento humano numa sociedade onde o que vale é "ter" e não "ser", na qual se aprende que o certo é nunca perder, a morte é vista como um castigo; mas para quem tem uma existência bem vivida, na hora que ela chega, simplesmente é o fim.

Nenhum anúncio de revista a menciona já que a morte não é vendável e Tanatos (o deus da morte) é rejeitado todos os dias. Se por acaso alguém fala seu nome, isto é o suficiente para ser o prenúncio de mau agouro; por isso é vista como um tabu, evidenciada numa cultura onde se endeusa a juventude terminantemente proibida de envelhecer.

A concepção da morte no oriente é bem diferente, pois é livre a expressão do conceito da alma, como o renascimento para algo melhor; por isso não é vista como algo tão aterrorizante. No ocidente, ao contrário, é tratada como uma espécie de prática criminosa, escondendo-a das crianças, sendo desdenhada pelos jovens e afastada do pensamento dos mais velhos.

Se alguém morreu, não sufoque as lágrimas ou abafe o luto. Aceite-a. Isto já é um passo para não temê-la.

A duração do luto dura em média dois meses. Só então a pessoa consegue voltar a resgatar o seu dia-a-dia. De maneira geral, leva-se dois anos para elaborar a perda. Existem processos anormais onde uma pessoa não sai do luto ou nem entra nele, ficando indiferente.

Quem não se conforma com a morte é porque deixou coisas mal resolvidas ou não se reconciliou com quem morreu.

Sempre disse em minhas palestras e entrevistas: "só tem medo de morrer quem não soube viver". Quem convive bem com a morte, vive intensamente; veja o lindo exemplo deixado pela artista Dercy Gonçalves.

É uma honra se encontrar com a morte depois de uma existência plena e expulsá-la da nossa existência seria a maior das injustiças - e também impossível, pois é a melhor das professoras nesta universidade chamada vida.

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